sábado, 31 de agosto de 2013

Saudações


Saudações, meus caros e nobres guerreiros! Aqui quem vos fala – ou será melhor dizer: vos escreve? – é a Alma de um ser que já não sabe mais lidar com a casa em que habita; um ser que já não sabe mais o que fazer. Esta Alma está perdida, já não sei a quem vou pedir que me acuda. Estou deveras desesperada. SOCORRA-ME! – Aiuto, per favore! Salva-me Dela! A casa que eu habito já não aguenta mais essa Alma plebeia. As paredes aqui estão rachadas, os cantos estão trincados, as luzes da minha casa não acendem mais e portas e janelas estão trancadas. Não tenho como fugir daqui. Não consigo suportar essa prisão. Preciso sair e voar. Sou a Alma e não os tijolos da casa, muito menos sou os móveis da mesma. Sou o ar da casa, preciso ser respirado e tragado para fora (se é que consigo me fazer entender nesse caso), não sei ser sufocado, não posso, não posso, NÃO POSSO! Passo mal, sou uma Alma claustrofóbica! Leitor guerreiro de Jah que ainda lê e está aqui sendo arrastado pelos devaneios de uma pobre Alma, peço que me salve Dela! Sou uma Alma fadada a virar sombra. Não deixe isso acontecer, meu guerreiro e único verdadeiro leitor amigo e caro, que ainda me resta. Essa Alma grita e suplica por ajuda. Grita silenciosamente, você não ouve? Não é capaz de ouvir-me? Então pare por um instante e perceba quão agonizante são os gritos d’uma Alma que passa despercebida, uma Alma qualquer, só mais uma Alma entre tantas que esperneiam por atenção. Chega de polir a espada de prata, meu leitor guerreiro, e venha me escoltar, os abutres estão vindo e muito armados também, parecem sedentos de sangue, julgamentos e hiprocrisia. Recorre-me agora a guerra de Tróia, A Odisséia, lembra? Aquiles não é meu nome, mas tão logo meu calcanhar será ferido. Corra, guerreiro! Por mim, por você, por nós, por Tróia, PELA VIDA! Corra!


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