domingo, 27 de abril de 2014

Ressurgindo das águas



Não. É aí que você se engana, minha cara jovem de rosto bonito e sorriso encantador... Não sinto falta. Não sinto nada. Apenas me remete lembranças (por vezes desconhecidas). Sei que tu hás de ler isto uma hora dessas. É incrível a falta que você não me faz. As suas palavras em nada me dizem respeito. Sei que me queres por perto, mas pergunto: pra quê? Só pra ter a quem falar sobre como você se sente sobre isto-barra-aquilo? Não quero saber sobre o que você quer fazer comigo, aonde quer ir ou pra onde gostaria de me levar. Não quero, obrigada. Estou bem assim. Porta da rua é serventia da casa; desta você já saiu há um tempo e fica só a observar do outro lado da mesma; tentando-me. Não, isto não é um ataque frontal ou punhalada. São sussurros. Ouve-os! Deve achar que sou errada por me afastar. Ou achar que sou errada por não "querer" restabelecer o contato. Não é nada disso, minha cara. É só que: eu não preciso de você tanto quanto eu precisava antes. Na verdade, nem me interessa o que você acha. O que me interessa é o que Ele acha; são outros os sussurros aos quais dou ouvidos agora. Você está longe, sim, e deixo você ir, com toda a certeza deste mundo! Por motivos de espiritualidade maior; por perceber que mudei e que você aí, leitor, deveria fazer o mesmo o quanto ainda é tempo para, quem sabe um dia desses, nos reencontrarmos e assim manter nossa velha e querida conexão. É deste mundo, é da iniquidade a que me refiro; esta qual que já não mais quero perto, que já não mais faz parte de mim. Deixei um alguém pra trás e sei agora (muito mais do que sei ontem) quem é esta pessoa - eu. Troquei-me de mim. Dei-me a Outro; dei minh’alma. Ressurgi das águas.

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