segunda-feira, 9 de junho de 2014

O tchau velado



Andando pela calçada, lá vão eles. As mãos querem ser dadas, mas elas se contêm. Querem falar, mas não sabem a quem. Mudos. O coração salta e a palavra entala na garganta; não quer sair. As cordas vocais vibram, mas parece não haver som algum. A agonia é tanta que a vontade é de gritar, mas o silêncio é tão mais alto quanto o próprio grito agônico. Não se demora muito a chegar e a despedida logo vem, e com ela a palavra. O "tchau" velado de vontade de ficar mais, nem que seja pra ficar num silêncio aflitivo, pois melhor a companhia silenciosa do que a distância pesarosa. A próxima visita foi marcada às pressas. Certo alívio com pesar de quem tem algo, mas não tem nada; a certeza incerta do reencontro. O último beijo e por enquanto. E por enquanto tudo igual: ela pra cá e ele pra lá. Veja meu caro leitor, como é que este dá o próximo passo? Lentos seguem, em casa logo chegam e o silêncio ainda vive. Nada a declarar; apenas uma pequena promessa de que algo será feito. (E o leitor nada entende sobre o texto). Quero dizer o que não consigo pessoalmente. Precisei de uma prévia para contextualizar o que anda acontecendo e depois vir com as bobagens mensais. Mês passado nada consegui escrever, neste mês algo precisava ser falado, no entanto escreverei - como é de praxe. E assim seguem as palavras que ficaram no silêncio suplicando para serem ditas: meu bem, quando me abraça sei que nada preciso falar, pois você sente o que quero dizer. Estar perto me faz bem, me faz querer ser melhor. Fazer-me rir você sabe, por mais que digam que risadas de tudo eu dou, porém ninguém entende o que é isso. Minha risada é sincera, como sempre é, porém rir com você tem gosto de paz. (Ahn?). Sim!, a paz que sinto ao seu lado, a tranquilidade é tamanha que dá vontade de estar sempre ali - mesmo que em silêncio -, é como se eu quisesse ser a sua plaqueta de ex-missionário  que carrega no peito por baixo do paletó aos domingos, ela está em silêncio, porém está lá contigo e ela te traz coisas boas, assim eu também quero ser. A comparação é péssima, disso eu sei. Quero poder ser algo bom na sua vida, como você é na minha. Sua melhor amiga e parceira, aquela pra quem você irá contar algo primeiro antes de todo mundo. Fato é que não sei como me expressar, nem tão pouco como dizer que simplesmente gosto de ti, isto parece ser tão simples e pouco, mas não. Não há razão pra tanto, disso eu sei também. Não sou quieta ou calada, apenas fico na minha esperando o momento de aparecer, assim como quem  está na coxia prestes a entrar em cena. Na canção que explica muito do que sinto, diz: não sei, mas sinto uma força que embala tudo, falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate. E assim, meu silêncio vai falando por mim cada vez mais alto.

1 comentários:

Anônimo disse...

Chorei nesse... muito forte... sou teu fa...