quarta-feira, 1 de julho de 2015

Orquídea


Montmartre, 09 de junho de 1996. 

Querida, Catherine,

Venho por meio desta dar-te boas-vindas e desejar o meu mais sincero carinho. Que seus olhos, mesmo que não Luna, ainda sejam da alma e brilhem - assim como tenho certeza que os serão. Ainda que descendente do pinheiro, que suas folhas não sejam daninhas. E ainda como carvalho, que suas folhas renasçam após o período frio e chuvoso. Que seja, por consequência de descendência, forte. Na classificação não sei em qual posição estou, mas saiba que desde já sou uma das pessoas que quer muito lhe conhecer, porém acredito que irá demorar. Considero, pelo fato de estar longe e perto, a demora algo que conserva o modelo do meu almejo pela felicidade sua. Serás tão bela e querida quanto já és. O passar dos anos me afastará de ti, apesar do não querer. Apesar mesmo de nem te conhecer tão bem quanto eles. Mas desde já aqui fica minha mais sincera esperança de te ver crescer. Seu lar será abastecido pela fé e sabedoria de Júpiter, juntar-se-á a Vênus e terá grande valor. Esta carta é simples e escrevo porque há necessidade libertar todas as palavras que nem um dia direi. Saiba: por mim (não somente) és querida. Saiba também que não tenho jeito e não sei lidar com toda a situação, perdoe a falta. E quando chegardes estarei por aí a fora pensando em ti e tentando enxergar exagerada o teu rosto nos deles. Ficarei maravilhada com sua primeira manifestação súbita. Meu desejo é que se torne o melhor deles, pois é isto que eles têm de fazer: dar o melhor de si para ti. Assim, estarei distante e sempre por perto querendo ver cada gesto e passo teu; tão orgulhosa de ti serei, bem como eles. Serei a sombra que, como um anjo, guia na escuridão. Ele será e Ela também, muito mais que eu. Pois estarei apenas a te observar, e do alto com pés firmes ao chão anseio sua vinda com saúde. Irá ganhar muitos elogios, desejos e presentes, tudo isto está neste texto de minha parte, assim como toda prestimosidade estará aqui também, mas em minha pessoa.

Que venha, então, tão cheirosa quanto jasmim e tão bela quanto orquídea.

De sua grande e eterna Amélie.

Amélie P.


1 comentários:

José Corrêa disse...

Forte, pareceu pra mim... pelo menos eu quis assim, que fosse pra mim.
Desculpe, estou sem palavras. Talvez o meu MUITO OBRIGADO seja suficiente por agora. Parabéns.