quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Olho calmo


Chora o quanto quiser, mas chora mesmo, nega, porque vai ser dureza. Só não esqueça que "coisas" dependem de ti enquanto chora. Joga as mágoas pra lá... mas bem pro lado de lá. Se logo mais amanhã já vem, então que tenhamos o olho calmo para entender o que se passa com a massa que é feita pra saciar a fome dos que a sabem modelar. Entenda, garota, que não é ruim gostar do jeito que nos despimos dos costumes e que lá irão as horas e ninguém mais contará o tempo, então o arrebatamento vingará. E tu que um dia pensou que essa hora nunca chegaria... mas se essa hora não chegasse, como saberia tu por onde ir ou qual caminho finalmente seguir? A faca é de dois gumes e a via é mão dupla, no entanto soube que não valeria a pena se gastar à toa e por coisa tão pouca. Na verdade e no fundo tu se gastou o suficiente para entender até onde valeria a pena se desesperar por nada e descobrir enfim que não vale nada. Respirou fundo, olhou ao redor, respirou fundo. Tu vigiaste, vigiou aos outros, observou, se calou e ficou na espreita. Caiu, levantou, escorregou e se reergueu. Esperou, fraquejou, traquejou e conseguiu. Soube a hora de falar, de pulsar e se expor. Fumegou, se arrastou e aprendeu: vazio e pó não param em pé, caem sempre. Esbravejou na hora certa e gozou sozinha no triunfo mais súdito, porém sem pagar tributo e sem rancor, após ele, respirou ar puro com louvor. Abriu os olhos e clareza se fez em ti com pedra sodalita e disse pra si: aprendi a usar o olho calmo; não ladro mais, apenas mordo.

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