sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Faca na bota


2015 foi uma facada. Como pode um ano ser tão bom e tão ruim ao mesmo tempo? Era pra ter sido um ano de tranquilidade e de realizações, de certa forma, foi sim em parte, pois por outro lado foram tantas turbulências que ainda não me sinto recuperada; ainda tenho muita água em meus pulmões. Eu deveria ter me permitido fazer mais coisas e tenho a sensação de que não fiz nem metade do que tive vontade. Me sinto de fato, leitor, um tanto incompleta. Como se fosse um pássaro na gaiola, me sinto presa também. Ou como uma árvore que cresce e floresce, eu fui podada. Tanta coisa aconteceu, tanta coisa estranha, diversas realizações e conquistas, mas nada faz sentido diante de tanta perda. Parece até que foram seis meses se glória e seis de fúria. Consegui entrar e sair de duas depressões, e talvez esteja indo para a terceira. Foi e é tanto sufoco que a gente passa calado e que nem um mísero ser humano a nossa volta é capaz de perceber. Ganhei e perdi inúmeras coisas e pessoas. Sim, eu sei que acontece com todo mundo, mas sabe que tenho a impressão de que comigo foi diferente? Você também sente que foi assim contigo, leitor? Sei lá, é estranho. Muito estranho e confuso. Dois mil e quinze quase acabando e eu ainda estou deveras atordoada sem saber ao certo o que houve comigo. Fui perguntada: o que houve esse ano? O que foi que aconteceu? - E EU NÃO SEI RESPONDER! Eu sei chorar, sei escrever, mas não sei falar. Choro tentando encontrar uma resposta que ME convença. E eu simplesmente não acho, não encontro. Sinto que esse ano vai acabar e eu ainda não me encontrei. Ouvi dizer que eu preciso me permitir errar e ter frustrações. OK. Entendo. Mas o foda é que eu fiz tanto isso ao longo dos meus 21 anos que a essa altura eu não consigo mais aceitar. "Nossa, calma, você ainda é muito novinha, muita coisa ainda vai acontecer..." - ah, claro, esse seu comentário foi bem animador!, preferia ficar sem ele, mas obrigada. Sinceramente, não preciso desse tipo de fala, pois eu já sei dela, já conheço bem e a ouço mais vezes do que gostaria. E tudo isso aqui e ali não tem nada a ver com idade, afinal se formos levar em consideração e dizer que uma pessoa é "experiente" apenas pela idade, olha... de fato estaremos ferrados! Sei que, na moral, eu só preciso que esse ano acabe. Fim. Opa, deu meia-noite. Feliz ano novo? É isso mesmo? Acabou? Ele se foi? SIM! Eu grito internamente e com o peito cheio de alívio, e com a esperança de que o novo ano trará novos momentos - e mais que isso -, uma nova vida. Será que dá azar pensar assim? É que dizem que quando se solta nossos desejos no ar o Universo capita, atrai e ele te dá, te devolve, basta pensar forte - e tô pensando, leitor. Ah, e não basta pensar que "tudo vai dar certo", tem que FAZER dar certo. Agora vou tirar a faca do peito, estancar o sangue e guardá-la na bota, e espero não precisar dela tão cedo para fazer cortes, seja de gastos, de desgastes ou de pessoas em minha vida.

1 comentários:

José Corrêa disse...

Gostei, mais uma vez muito reflexivo e introspectivo. Busco respostas.