sábado, 26 de março de 2016

Meus 5 tons de azul


Foi naquela manhã cheia de promessas que eu disse a ele que não precisava me pedir para ser dele - não mais. Ele havia pedido uma única vez há tempos atrás e eu disse sim, e desde então eu sou: dele. Cinco anos se passaram e eu continuo sendo: dele. Entre idas e vindas hoje estamos aí, lado a lado. Eu sabia que das duas, uma: nossos caminhos seriam trilhados juntos ou separados. Hora foi junto, hora foi separado, depois juntos outra vez. Foi tortuoso o caminho até aqui, houve muita coisa errada, agimos muito errado para finalmente estarmos construindo algo certo. Aos pouquinhos vamos colhendo as recompensas diárias de estar cumprindo uma jornada com alguém, uma pessoa que você considera ser tudo pra ti: amiga, companheira, amante, confidente, parceira. Essa pessoa se torna mais do que ter um simples codinome e ela está predestinada a ser o que há de mais especial e importante pra ti no momento, pois é nela que você deposita todas as suas fichas e vice-versa. Eu vivo depositando minhas fichas em diversos lugares e pessoas, mas as fichas do tipo gold (ouro) eu deposito todas só nele sem pensar duas vezes. Foi naquela manhã também que disse a ele que não deveria se preocupar, pois as coisas iriam se ajeitar de alguma forma e fui sincera ao dizer que não sabia como, mas que iria dar tudo certo. Pode ser que ele tenha titubeado, mas consegui confortá-lo em meu abraço, assim como eu me sentia confortável em seus braços mesmo que os ossos atrapalhassem um pouco na hora de achar uma posição para deitar, no fim eu me sentia ótima quando encontrava um jeitinho de me encaixar ali. Ele demonstrava magnanimidade em tudo o que fazia, até mesmo em beber um copo d'água - e é neste momento que o leitor acha que sou mesmo uma abobalhada, mas saiba, meu caro, de abobalhada aqui só minhas meias, pois são rosas com um ursinho sorridente no peito do pé. Aquela manhã foi magnânima comigo; o sol atravessava a persiana, os raios de luz deixavam o quarto meio azul, os tons de quase tudo no quarto permeava entre as mais diversas escalas de azul, o carpete azul marinho, o cobertor azul marinho, a colcha azul claro, uma das fronhas azul columbia, a persiana azul força aérea, o edredom com vários detalhes midnigth blue. À frente da janela estava a cama e nós nela, do lado esquerdo estava um sofá abarrotado de coisas e roupas. No chão havia roupas espalhadas também. Eram 9:02 quando decidi que precisava levantar. Levantei e fui até a cozinha, quando voltei minha ficha havia caído: era real, ele estava lá e eu também, numa manhã de sábado. Deitei, mas fiquei acordada olhando-o e pensando na noite anterior e em todos esses anos... sobre a conclusão: éramos bons juntos e isso bastava. Sou mais a calmaria dele e seus 5 tons de azul do que qualquer outra coisa.

1 comentários:

Carol R. disse...

Finalmente sentir - se pertencente.