segunda-feira, 27 de junho de 2016

04:32 da madrugada e outros dias


Antes de dormir pensei nele e em oferecer-lhe um ósculo e um amplexo em plenilúnio. Em tese foi o que não houve. Em sonho foi o que houve. Tomei muito cuidado para não esquecer cada detalhe daquele sonho. De cada sabor, gesto e cor. Tomei cuidado para não esquecer de cada olhar, de cada riso e sentimento. Outro sonho, outro devaneio. Ele me dava a mão e me protegia. Me segurava em seus braços, me envolvia. Eu lá caída ao chão, quase sendo devorada por estigmas, vulgo traças. Eu seminua; hora nua, hora com trapos, cujas roupas tão sujas quanto eu. Molhada de choro e ele não se importava em se molhar também enquanto me embraçava. Os dois ao chão; cada um mais pesaroso que o outro. Senti nele tudo o que havia de bom (e de ruim). Eu queria estar lá e ele também. Desejávamos não precisar ir embora. Quando acordei, estava de bruços. Me virei e por longos minutos passei a fitar o teto, lembrando-me de todas as sensações que aquele mero sonho me propusera. Nada valeu tanto do que aquele momento. Foram os prováveis 10 minutos mais fantásticos de sonhos que já tive em 21 anos. Coração talvez tenha chegado a parar e por isso eu tenha acordado - ouvi dizer que acordamos durante a noite porque paramos de respirar por alguns segundos. Beijamos como se eu não fosse acordar mais - eu queria não ter acordado mesmo, e muito menos gostaria que tivesse acabado. Mas fazer o que quando a realidade bate na porta? Temos que abrir! Eram 04:32 da madrugada quando olhei a hora. Da minha reação: fiquei lembrando boquiaberta o que acabara de acontecer. Parecia tão real; ele estava lá, eu também, eu vi, eu senti. Ouvi tocar ao longe os trechos das músicas que me faz lembrá-lo, porém a realidade me trouxera de volta; ela me puxava muito forte. Andamos, conversamos, mas lá estavam eles nos tragando pra fora – continuamente, sem cessar e nos observando. Somente hoje olhando para trás é que entendo suas deixas, minhas queixas e nossas madeixas, meus longos cabelos e sua barba mal feita. Vi pupilas dilatadas e cheias de mentiras. Vi um pesar tão grande e cheio de não-me-toques. Vi coisas estranhas que não sei descrever ao certo, pois o emaranhado era muito. Sei que há tanto em tão pouco. Sei que há tantas reticências pra nós, entre nós e com cada um, que essa história será mais uma...

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