sexta-feira, 28 de abril de 2017

1/4 e um quarto


Foi num quarto que me despi de cada crença que um dia me havia sido imposta. Senti os dedos da vida passando pelo meu corpo e dizendo que mais um ciclo estava chegando ao fim. Senti cada batida como se fosse a última, e quando vinha a próxima era como se a vida também desse uma virada, um salto - literalmente, eu pulava. Respiração curta e outro estalo. Olhos fechados, braços leves e pernas dançantes. Outro quarto, mais 1/4, outra música, outra posição e a mesma respiração ofegante. O som tocava meu corpo e me arrepiava, a brisa vinha e me arrepiava, eu olhava pra você e me arrepiava, meus pés na grama e a melhor sensação de liberdade que já senti até hoje, me arrepiavam. Seu olhar de algum modo me aliciava e eu gostava disso, sentia arrepios também. Com um simples encostar era possível sentir os arrepios. Meus sentidos cada vez mais apurados, meus reflexos mais rápidos e minha respiração cada vez mais curta e ofegante. Outro gole de água, mais um pirulito, outro gole de cerveja - outras melhores sensações. Os pés descalços não estavam mais tão cansados e dançaram, porém a mente sentiu a necessidade de parar, deitar e refletir sobre o momento. Senti o que estava acontecendo: uma nova perspectiva de vida estava se instalando e gostei daquilo. Plenitude. E então decidi que pegaria mais leve e focaria no melhor que eu pudesse ser dali em diante. Foi num outro dia, 15 de abril às 01:50, que voltei da sua casa, me troquei e deitei pra dormir. Meus pés com meia se aconchegaram tão gostoso no edredom, parecendo até que estavam entrelaçados com os seus. Como eu queria agora poder estar agarradinha contigo, fazendo carinho e dando beijinho. Ficar assim com você me traz sossego, penso que nada de ruim irá acontecer enquanto eu estiver ali: na paz que você me dá. Sua calmaria me sossega. Aqueles quartos me dão a sensação de que poderíamos ficar dias ali e simplesmente esquecer o mundo. E então voltar à primeira frase desse texto. Todos esses dias depois de te ter por perto têm sido como a sensação de tomar um algodão: DOCE.

1 comentários:

José Corrêa disse...

Forte... Gostoso ler.
Bate forte.